Até o século XIX, não se praticavam atos anestésicos e todos os procedimentos cirúrgicos eram realizados apenas por contensão física do paciente. Os primeiros relatos de anestesia datam de 1844 quando Horace Wells realizou uma extração dentária sob anestesia com um gás chamado óxido nitroso em que, finalmente, o paciente não sentiu dor durante o procedimento. A partir desta data, a anestesiologia não parou mais de evoluir, com a descoberta de novos agentes anestésicos e com o desenvolvimento de equipamentos específicos para a administração desses agentes: desde a seringa até as bombas de infusão contínua, sem falar dos modernos carrinhos de anestesia inalatória e aparelhos multiparamétricos para monitoração trans anestésica.
Ato operatório público realizado na antiguidade.
Obviamente, com toda esta evolução tecnológica, houve a necessidade de preparar um profissional habilitado para manipular todo este aparato farmacológico e tecnológico. Foi então que surgiu a especialidade da anestesiologia, com a função de proporcionar conforto ao paciente durante o ato operatório. O principal objetivo de uma anestesia cirúrgica é a abolição da sensação dolorosa. Entretanto, outros objetivos também são buscados. Na anestesia geral pretende-se causar um estado em que o paciente permaneça continuamente dormindo durante o ato anestésico. Minimizar as respostas endócrinas e metabólicas consequentes à agressão cirúrgica também é desejável durante a anestesia. Outro mecanismo utilizado para promover as condições cirúrgicas ideais é a indução e manutenção do relaxamento muscular do paciente, a fim de permitir o acesso cirúrgico.
A importância deste trabalho é tão grande que o trabalho do anestesiologista não ficou restrito apenas ao ato anestésico. O anestesiologista passou a acompanhar o paciente desde o diagnóstico de seu problema, auxiliando no controle da dor que sua doença proporciona, diminuindo a ansiedade e o nervosismo que acompanha o paciente encaminhado a uma cirurgia e também no pós-operatório, onde o controle da dor e a melhoria da qualidade de vida são primordiais para a total recuperação do paciente.
Hoje, o anestesiologista pode ser considerado um médico perioperatório, ou seja, é responsável por minimizar os efeitos deletérios do período de enfermidade, desde o diagnóstico da doença até sua completa recuperação do ato operatório. Sem dúvida, o ponto-chave para a introdução deste conceito foi o controle da dor, que passou a ser considerado como uma doença e não mais como um sintoma de uma doença. O paciente sem dor recupera-se em um período mais curto de tempo e, quando a recuperação completa não é possível em enfermidades crônicas como a artrose e o câncer, o anestesiologista também está presente, para proporcionar alívio do sofrimento e melhorar a qualidade de vida destes pacientes.
A anestesiologia veterinária também acompanha esta evolução conceitual e tecnológica. Os animais de companhia são portadores das mesmas enfermidades dos humanos: sofrem e sentem dor como nós; merecendo nosso respeito, carinho e os cuidados que a evolução de nossos conhecimentos proporciona.
Por fim, cabe ressaltar que a evolução dos tipos de cirurgia realizados em medicina veterinária foi possível graças ao desenvolvimento da anestesia, que garante a segurança e a manutenção do suporte a vida de nossos pacientes durante as cirurgias.
Carrinhos de anestesia inalatória
O primeiro serviço particular de anestesiologia de animais de companhia do estado do Paraná foi inaugurado no Hospital Veterinário Clinivet, na década de 1990, quando a maioria dos veterinários da época imaginavam que o paciente veterinário precisava sentir dor no pós-operatório, para manter-se imóvel e não prejudicar a cicatrização da cirurgia. Hoje, este conceito está totalmente ultrapassado e inadmissível. A monitoração dos sinais vitais para a correta manutenção das funções cardiovascular e respiratória, bem como o controle da dor perioperatória são práticas adotadas como rotina para aumentar a segurança do ato cirúrgico, minimizar a morbidade e mortalidade resultante do ato operatório.
Em medicina veterinária, devido a agitação ou agressividade de alguns animais, há necessidade de se aplicar sedativos, tranquilizantes ou anestésicos em diversas situações: desde uma simples contensão para realização de exame clínico, raio x e ecografia, até anestesias mais complexas para realização de cirurgias ortopédicas, cardíacas e neurocirurgias.
A dor foi definida em 1986, pela Associação Internacional para o Estudo da Dor, como uma experiência sensorial e emocional desagradável que está associada a lesões reais ou potenciais.
O tratamento da dor de forma preventiva ou mais especificamente, de forma preemptiva, consiste na administração de analgésicos antes que o processo inflamatório associado a uma lesão tecidual desencadeie o estímulo doloroso.
Faz parte da rotina a utilização de diversas classes de fármacos com ação analgésica como anti-inflamatórios, opioides, anestésicos locais, entre outros, de forma isolada ou associados entre si, proporcionando analgesia multimodal ou balanceada com grande eficiência e mínimos efeitos colaterais.
A dor em animais de companhia pode ser manifestada através de alterações comportamentais, como aumento da ingestão de água, redução ou perda de apetite, aumento ou diminuição da temperatura corporal ou o ato de mancar.
Sinais de dor no cão:
Sinais de dor no gato:
| ESCORE | NÍVEL DA DOR | EXEMPLOS |
| 0 | Ausente | Raio x, retirada de pontos, troca de curativos. |
| 1 | Dor leve | Sutura de pele, limpeza de feridas, remoção de corpos estranhos, limpeza ocular. |
| 2 | Dor moderada | Castrações, cesariana, remoção de tumores de pele. |
| 3 | Dor grave | Cirurgias ortopédicas, torácicas, oftálmicas e amputação de membros. |
Existem várias técnicas de tranquilização e anestesia que podem ser utilizadas em animais de companhia. A escolha de cada uma delas deve ser realizada pelo anestesiologista e baseada na situação encontrada. Os protocolos anestésicos utilizam tranquilizantes, sedativos, analgésicos, relaxantes musculares e anestésicos locais, intravenosos ou inalatórios que podem ser utilizados isoladamente ou associados entre si, o que chamamos de anestesia balanceada.
A escolha do protocolo ideal conta com a solidez de nossos profissionais com mais de 10 anos de experiência.
A Clinivet conta com uma equipe de profissionais especialistas em anestesiologia, que acompanham todos os pacientes submetidos a anestesia, desde sua admissão no Hospital, até sua completa recuperação, em todas as modalidades anestésicas, desde uma simples tranquilização. A equipe está de plantão 24 horas para o atendimento de eventuais emergências e urgências.
O Hospital Clinivet conta com duas salas de cirurgia e uma sala de odontologia totalmente equipadas com monitores multiparamétricos, para a monitoração de anestesia total intravenosa, anestesia inalatória e ventilação controlada, prontas para atender cirurgias de rotina, assim como urgências e emergências de qualquer natureza.
Monitores de sinais vitais.
Nossos profissionais recebem treinamento em ressuscitação cárdio pulmonar periódica para o atendimento de emergências que possam colocar a vida do paciente em risco. O centro cirúrgico conta com toda a estrutura, inclusive desfibrilador cardíaco, para atender qualquer intercorrência durante a anestesia, o que proporciona maior segurança e garante o alto índice de sucesso de nossos serviços.
Carrinho de emergência com desfibrilador cardíaco
